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terça-feira, 21 de junho de 2011

A grande partida: anos de chumbo


Um olhar transparente e risonho, mãos ágeis extraindo beleza e rítimo do acordeom, um coração incondicionalmente terno e solidário: estes são traços marcantes dos meus primeiros encontros com Francisco Soriano. Quem poderia advinhar que, por trás deles, se escondesse uma história de tremendo sofrimento físico, mental e psiquico, infligido pelos carrascos da ditadura militar que oprimiu o Brasil durante 21 anos do século 20, em nome dos interesses do grande capital transacional, com a cumplicidade das elites brasileiras e das instituições financeiras multilaterais?
Soriano escreveu A grande partida: Anos de chumbo com o cérebro e o coração. Ele não se limita a narração dos fatos que vivenciou, mas explora com a maestria de um pensador crítico e compassivo os meandros dos sentimentos dele próprio e daqueles que fizeram e fazem parte da sua teia de relações.
Ele compartilha conosco, seus leitores e leitoras, ricos detalhes da sua tragetória pessoal, trazendo-nos para a intimidadede valores mais profundos, desafios mais dramáticos e sublimes esperanças.
Outro valor desta preciosa narrartiva é o de ilustrar a realidade da opressão da ditadura militar brasileira a partir de uma história cujo epílogo é a vitória da resistência de Soriano a todos os horrores e a reafirmação da Vida e da sua Esperança.
Pois só alguém, que construiu em si um espírito forte, compassivo e terno, teria condições de sair desse calvário cheio de disposição para continuar se desenvolvendo e, ao mesmo tempo, continuar atuando na luta pela emancipação do povo e da Nação Brasileira.

Francisco Soriano

Pedro e os Lobos

Apresentação

Decidido a encontrar um eldorado em Mato Grosso, ele deixa seu torrão natal nos cafundós da Serra do Mar Paulista e vai se tormar sargento da então Força Pública, atual Polícia Militar. Exonerado da da corporação por força do Ato institucional número 1, Pedro se transforma então num dos mais ativos guerrilheiros urbanos em ação na luta contra o regime instalado pelos militares a partir de março de 64.
Preso, torturado e banido do país, ele passa pela Argélia, Cuba, Chile e Argentina antes de se fixar na Alemanha Oriental, atrás do que o ocidente costumava chamar de Cortina de Ferro.
Numa reviravolta surpreendente, com a anistia o ex-guerrilheiro retorna ao Brasil e é reintegrado a Polícia Militar, onde hoje é oficial da reserva.
 Misturado a essa incrível biografia, um retrato desconcertante dos Anos de Chumbo, período dos mais conturbados da nossa história.

João Roberto Laque